Web & Presse
Exposição “Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo”
Arkpad Blog - Bruno Etchepare

(12.07.2012)

A cor como uma experiência participativa, essa é a bandeira defendida por Carlos Cruz-Diez, um mestre em cromatismos e instalações que instigam uma percepção visual diferente sobre luz, cores e formas. Um ano e meio após a abertura no Museu de Belas Artes de Houston, onde teve meio milhão de visitas, a maior retrospectiva de suas obras – que passou também pelo MALBA, em Buenos Aires – chega à São Paulo, na Pinacoteca, a partir do dia 14 de Julho.

Com mais de 120 trabalhos, a exposição celebra os 60 anos de carreira de um dos mais importantes artistas contemporâneos na ativa. Venezuelano radicado em Paris, Cruz-Diez fez parte, junto com seus conterrâneos Jesus Soto e Alejandro Otero, do Movimento Cinético dos anos 1950-60, ao lado de nomes como Abraham Palatnik, Alexander Calder e Marcel Duchamp.

Em sua longa trajetória, o artista desenvolveu uma investigação sobre a instabilidade das cores, seu caráter mutável e transiente. Na obra acima, Induction du jaune, o artista provoca uma indução cromática – técnica que explora o conceito de persistência retiniana (as cores que observamos se armazenam em nossa vista, por um breve instante). Dessa forma, pela soma entre o que foi armazenado e o que é visto em seguida, o artista induz a percepção de cores momentâneas, que não existem, por exemplo, em uma fotografia da mesma obra (até que alguém olhe para ela).

Na obra de Diez, as cores mudam de acordo com o ponto de vista. Mas se o olho humano enxerga uma cor que não “está lá”, isso é uma ilusão? Ou ela existe? Segundo o artista “a cor não é um pigmento em uma superfície sólida, mas uma ‘situação’ que resulta da projeção da luz sobre os objetos e de como essa luz é processada pelo olho humano”. Esse é o ponto crítico da discussão que sua obra levanta: a cor é um fenômeno, que se transforma, ela não existe em si, mas apenas aos olhos de quem vê.

As fotos acima são de Fisicromias, obras que exploram a variação cromática de acordo com o movimento do expectador ou da fonte de luz. A exposição conta com 50 obras desse tipo, que ilustram estágios de evolução da série, cujas obras mais antigas eram compostas de madeira cortada e pintada à mão e peças de papelão, e que agora são feitas com tiras de alumínio e tecnologia de impressão digital. Para obter a sensação de movimento, essas obras se apoiam em cálculos do padrão moiré (um efeito de interferência física, que ocorre em grids sobrepostos com pequenas diferenças de ângulo ou espessura). A ilusão de ótica é uma temática explorada pela Op Art – vertente artística que deriva da arte cinética -, na qual é possível incluir Cruz-Diez, mas sem restringí-lo.

A foto acima é de um ambiente de cromosaturação. O espaço é dividido em três câmaras, cada uma dominada por uma cor. Ao proporcionar uma experiência de imersão monocromática, essa obra busca reforçar a percepção da cor como uma atmosfera presente no espaço e não como componente de algum objeto. Sobre uma diversidade de suportes, o artista recorre a múltiplas estratégias e eventos cromáticos que apontam na mesma direção: deslocar a percepção da cor, demonstrando que ela não está nas superfícies, mas acontece no trajeto percorrido pela luz em direção a um observador.

As Transcromias, como a da foto acima, são estruturas que trabalham com os conceitos de sobreposição e subtração de cores. Por meio de lâminas translúcidas, dispostas em uma certa ordem espacial, são produzidas ricas combinações de cores, que variam de acordo com o movimento do espectador, da iluminação e da luz do dia. Com formas retas e materiais artificiais, o trabalho destaca e amplifica com simplicidade a mudança de tonalidades que acontece todos os dias, naturalmente.

Com apoio da Fundação Cruz-Diez, o artista desenvolveu, inclusive, um aplicativo para iPhone e iPad que permite aos usuários ter uma “experiência interativa de cromatismo aleatório”, ou seja, realizar seus próprios experimentos de manipulação sobre o comportamento das cores, por meio de um sistema generativo que reproduz a linguagem utilizada pelo artista.

O incrível trabalho de Cruz-Diez também usa a cidade como suporte. Na foto acima, uma obra efêmera que cobriu os tapumes durante a reforma da Casa Daros, no Rio de Janeiro, em 2011. Abaixo, o próprio artista e uma obra permanente: o pavimento integrado ao novo estádio dos Marlins, em Miami.

Serviço:
“Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo”
De 14 de julho a 23 de setembro. Terça a domingo das 10h às 18h.
Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, 2 – Bom Retiro – (11) 3324-1000.

Source : blog.arkpad.com.br - Bruno Etchepare

Retour au menu Précédent Suivant
Rechercher
Mot clé
RestaurerRechercher